Gestão de Energia / Eficiência Energética

Começando a migração para cidades inteligentes e para um futuro melhor

Em menos de 40 anos, 70% da população mundial residirá em cidades. Essa rápida migração levará os atuais e futuros centros urbanos ao limite. Embora representem apenas dois por cento da superfície do nosso planeta, as cidades detêm metade da população global, consomem 75% dos nossos recursos energéticos e emitem 80% do carbono que impacta o meio ambiente. Para acomodar o atual ritmo de crescimento, será preciso, nos próximos 40 anos, construir o mesmo volume de capacidade urbana que os nossos antepassados levaram 4 mil anos para criar. Os gastos com essas mudanças devem totalizar US$ 108 bilhões até 2020, de acordo com a Pike Research, e continuarão com uma tendência ascendente, colocando enorme pressão sobre os orçamentos governamentais.

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No Brasil, o fenômeno da urbanização está mais avançado, atingindo 85% do total. Resolver os problemas das cidades, portanto, significa resolver grande parte dos problemas do país. Por isso, é indiscutível a necessidade de transformação dos nossos centros urbanos.

A definição mais eficaz de uma cidade  inteligente é uma comunidade que é eficiente, habitável e sustentável. Tradicionalmente, os sistemas de água, gás, eletricidade, transporte, resposta a emergências, edifícios, hospitais e de serviços públicos de uma cidade são separados e operam de forma independente um do outro. Uma cidade verdadeiramente eficiente necessita não só que o desempenho de cada sistema seja otimizado, mas também que eles sejam gerenciados de maneira integrada, garantindo diagnósticos mais completos e decisões mais eficientes e rápidas em todas as instâncias.

Cidades que começam a implementar sistemas e processos que as tornam mais “inteligentes” alcançam ganhos de eficiência mensuráveis, como até 30% de economia de energia, diminuição de cerca de 20% da perda de água e, ainda, até 30% de redução nos crimes de rua a partir da instalação de câmeras de segurança de circuito fechado. O tempo de viagem e os atrasos causados pelo trânsito também podem ser reduzidos em até 20%. Como consequência, percebe-se a melhoria na qualidade de vida e na geração de empregos, além, é claro, do aumento da atividade econômica.

Os benefícios podem ser observados, ainda, no atendimento a emergências médicas. Um estudo recente no Reino Unido mostrou que o tempo de resposta das ambulâncias a vítimas de ataque cardíaco é um fator crítico para a sobrevivência do paciente. A redução do tempo médio de 14 para cinco minutos dobra as chances de recuperação. Na maioria dos ambientes urbanos, os congestionamentos não permitem uma resposta de cinco minutos. As cidades inteligentes, porém, têm potencial para tornar essa meta possível, salvando dezenas de milhares de vidas todos os anos.

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Algumas metrópoles brasileiras já iniciaram essa transição – o  Rio de Janeiro, com controle de tráfego urbano, e Belo Horizonte, com o saneamento básico, são alguns exemplos de municípios a serem seguidos. Dada a disponibilidade das tecnologias para cidades inteligentes, não há motivo para postergar as ações que melhoram a vida dos cidadãos. O investimento em soluções para aumentar a eficiência dos grandes centros pode ser considerada como a maneira mais econômica, fácil, rápida e eficiente para que governos, empresas e cidadãos enfrentem os atuais dilemas das grandes metrópoles, tornando-as mais eficientes e sustentáveis.  O mundo está mudando. A migração para cidades inteligentes garantirá que essa mudança seja para melhor.


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