Gestão de Energia / Eficiência Energética

A equação continua incompleta

Diante de mais um apagão, o Ministério de Minas e Energia  anunciou um plano de emergência que deve injetar no sistema elétrico brasileiro 1,5 mil megawatts.  A solução para evitar o desabastecimento e o racionamento mantém-se a mesma: acionar mais usinas térmicas, que todos sabem ser mais poluentes, e a esperada ajuda divina para a normalização das chuvas no país. Infelizmente o resultado dessa equação, em curto e longo prazo, já é conhecido: as falhas continuam e a conta de luz, para o consumidor e para a indústria, só fica mais cara.

Não basta reforçar a matriz energética para aumentar a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico. É preciso investir em eficiência. Foi o que fez a Alemanha, apontada pelo Conselho Americano por uma Economia com mais Eficiência Energética (ACEEE, na sigla em inglês) como a nação mais eficiente do mundo do ponto de visita energético. Há alguns anos, iniciaram uma transformação em sua rede, colocando a expansão das fontes renováveis e a eficiência energética como prioridades. Subsídios para aumentar a eficiência por meio da troca de equipamentos e metas claras de redução de consumo foram algumas das medidas adotadas.

Também analisado pela ACEEE, o Brasil ocupa a 15ª posição entre 16 países nesse ranking internacional de desempenho, tendo como gargalos, principalmente, a indústria e a construção residencial e comercial. Esses mesmos setores, que respondem por cerca de 50% do consumo de energia do país, também puxam o aumento do consumo final de eletricidade.  

Quando são acionadas mais usinas térmicas, outro problema é criado. A energia é hoje o fator que mais gera emissões e, ao ampliar a geração de fontes mais poluentes, caminha-se na contramão dos esforços globais para mitigar a emissão de gases de efeito estufa.  O Plano Decenal de Energia para 2014-2023 já informava que, para suportar o aumento médio anual de 4,3% no consumo de energia, haveria um expressivo crescimento da geração de térmicas nos próximos 10 anos, em torno de 6% ao ano, em média. Isso significa que o montante de autoprodução em 2023 equivalerá a uma carga da ordem de 10 GWmédio, o que representa algo em torno da soma das energias asseguradas das usinas hidrelétricas de Itaipu e Ilha Solteira.

O Governo está disposto a evitar o racionamento, que tanto preocupa o mercado e assusta a população. Garante a disponibilidade de energia, mas precisa agora apontar o caminho para estancar o desperdício. O potencial de economia com o desenvolvimento de projetos de eficiência energética é de aproximadamente R$ 54 bilhões anualmente. Adicionar esse fator à equação tem um efeito positivo e direto na conta de luz do consumidor e na competitividade do seu país. Alivia, ainda, a dívida com o planeta. A energia mais barata e limpa é aquela que não é produzida e desperdiçada. 


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