Gestão de Energia / Eficiência Energética

Por que Wall Street gosta de eficiência

Em março, o Deutsche Bank emitiu títulos no valor de US$ 104 milhões para financiar projetos residenciais de eficiência energética. O financiamento renovável recentemente fez jus a uma linha de crédito de US$ 300 milhões para reformas em residências voltadas à eficiência, na Califórnia, no Havaí e na Pensilvânia, entre outras regiões. O programa NY Green Bank do governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, obteve US$ 210 milhões dos US$ 1 bilhão que pretende captar para projetos de eficiência, enquanto o órgão responsável pelas finanças e energia limpa do estado de Connecticut está trabalhando com investidores privados para alocar US$ 30 milhões em projetos de modernização da eficiência comercial. Fundos de aposentadoria e empresas de patrimônio privado estão avaliando formas de criar seus próprios fundos e emitir títulos de eficiência energética.


Se concedidos, esses fundos são relativamente modestos em comparação ao dinheiro que flui para os novos aplicativos para celular, mas para a eficiência, é um investimento com retorno muito significativo: há apenas alguns anos, ideias como o PACE para financiamento de projetos de eficiência pareciam fadados ao fracasso. Essas iniciativas também demonstraram, ao mesmo tempo, um interesse sem precedentes na energia solar: A Google, a Credit Suisse, a Capital One e outras empresas já aplicaram, neste ano, mais de $1 bilhão no financiamento de projetos de energia solar.

O que está estimulando esses investimentos? Acredito que estejamos presenciando uma convergência de quatro fatores, que, por acaso, vemos com frequência atuando em conjunto em outras transformações fundamentais do mercado.

Conscientização do Cliente. A questão da energia mudou de status. Saiu de uma preocupação em segundo plano, para uma questão crítica, para um número crescente de empresas. Datacenters de grande porte, onde alguns dos primeiros grandes clientes começam a considerar a eficiência: a energia é, muitas vezes, a principal despesa depois da folha de pagamento.

Empresas do setor agrícola cada vez mais se preocupam com o impacto das flutuações nos preços do petróleo sobre suas plantações. Clientes industriais, que serão os maiores consumidores de energia em 2020, não discutem mais sobre normas para regulamentar as emissões de carbono: estão planejando como cumpri-las. Há uma estimativa de US$ 8 trilhões em gastos com eficiência em todo o mundo, de hoje até 2035, segundo o IEA.

 

A eficiência faz parte dos negócios: não há como contorná-la.

Tecnologia. Estamos vivendo na Era Dourada da tecnologia energética. O armazenamento de energia vem se permeando no meio energético, após décadas de desenvolvimento. Prevê-se um crescimento da participação da iluminação por LED de 6% no mercado atual para 75% do mercado em 2020. O custo dos painéis solares caiu de US$ 75 para US$ 0,50 por watt. Podemos esperar mais mudanças nos próximos 10 anos do que as ocorridas nos últimos 50.

A importância do software é quase impossível de subestimar. Se você tem um termostato inteligente, você pode ver imediatamente o volume de energia que está consumindo: é uma mudança enorme em relação a esperar a conta de luz chegar para ficar sabendo.

Modelos comerciais. O principal fator impeditivo das iniciativas de eficiência no passado era a falta de recursos financeiros: a maior parte dos consumidores residenciais gastava seu dinheiro em bancadas de granito. Modelos “como um serviço” eliminam essa dor de cabeça, financiando a eficiência por meio da economia. Diversos modelos já existem – PACE, On-Bill Payment, ESCOs – mas a meta, em última instância, é a mesma: tornar o custo invisível.

“A eficiência não é uma questão de tecnologia. Trata-se de uma questão financeira”, declarou Matt Golden, diretor da Efficiency.org.

Apesar de os pagamentos pela modernização financiados pela economia estarem presentes no mercado há anos, o que os torna mais visíveis para o consumidor hoje é o software. O software proporciona certeza: o que pode ser medido, pode ser monetizado. Particularmente interessante é que o modelo pode ser aplicado a qualquer coisa, desde hotéis de luxo a imóveis para a classe média.

Canais. O canal frequentemente atrai pouca atenção nas discussões sobre transformações nos negócios, mas imagine quanto tempo a indústria automobilística teria levado para evoluir sem os mecânicos independentes ou os postos de abastecimento. Ou a indústria da informática sem os gerentes de TI. Sem um canal, nada se concretiza.

Empreiteiros comerciais e residenciais, especialistas em iluminação e eletricistas estão praticamente todos modificando seus negócios para se adaptarem à demanda por eficiência. Quando se observam a Califórnia e o Texas concorrendo pelo crescimento das iniciativas verdes, fica claro que se trata de uma tendência que está desafiando as expectativas.

Quando se reúnem todos esses fatores, e certamente muitos outros, estamos diante de um ciclo virtuoso clássico, em que a demanda do consumidor estimula a concorrência, que por sua vez estimula a inovação e o crescimento. Os preços caem e algumas ideias fracassam, mas a atividade global se expande além da imaginação de qualquer pessoa.

Acredito que estejamos presenciando o início de algo muito grande. E você?

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